3 de fev de 2009

POEMAS DO COTIDIANO 2.


Lavras é palavra estranha
que me faz mineirar memórias.
Arroja em mim momentos meus
de loucos dias e dias mortos.
Lavras tem o jeito sutil
de trazer o vento que já passou,
de trazer a vida um dia já vivida,
de trazer o doce canto de minha mãe.
De Lavras vem
o eco de águas pingadas
a molhar o peito em dor,
águas doces de mangueiras em flor,
águas sujas de ruas tortas,
águas do rio louco de minha vida vã.
Às Lavras ecoam
lamentos de agora dos dias idos.
Entre sombras e entre passos retorno
às luas cheias da paixão,
matracas, rezas, cicios e preces
que o menino seguia em contrição,
pagando lá os pecados de agora.
Mergulho em Lavras atrás de mim,
mergulho em mim e encontro Lavras.
Renego, renego a vida que lá vivi,
mas não me livro da marca funda
em cicatriz de dor já mascarada.
Do pó do tempo me vêm as sombras
de tudo que já esquecera.
Se de Lavras ficou essa sombra triste
que me tornei, para lá retornam
as memórias loucas dos meus sonhos bons.

14/12/95

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