2 de ago. de 2016

noturno número 1



(Gustave Caillebotte)





dorme a noite

aos raios da lua

dorme a amada

em mim enroscada

toda calma

toda nua

os lábios a sibilar

aos meus ouvidos

cantigas de ninar

os seios

em meu peito a arfar

o ventre úmido a roçar

meu ventre

meu sexo

lá fora estrelas eternas

brilham menos ao luar

sonhos de delícias

que eu não posso imaginar

a amada em meu leito

com seu jeito de luar

ah, a amada minha, a noite

que foi feita para sonhar

à luz do luar e ao açoite

do vento sul

do vento frio

e nessa noite, ó amada, oh sim

quem me dera se assim fosse

quem me dera se fosse assim

18.6.2016




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