5 de jan. de 2026

Para Clara Nunes

 





Não sei se é verdade ou conto de areia

A voz clara e potente

Que cantava o canto dos orixás

Não sei de quantos adeuses

Se faz a saudade do seu canto

Quem chamou para o infinito

A maré cheia desse canto

Quem chamou

Quem chamou não lembrou

Que maré que vai nunca volta

Deixa na areia o passo vago

Mas a voz que me desperta

Desperta no sangue do povo

O poder de cantar e cantar de novo

Um poder que nada para

A saudade sem fim dessa mulher

A voz potente – a voz de Clara




17.4.2025

(Ilustração: Clara Nunes - foto de Wilton Montenegro)


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