esgotam-se pouco a pouco
o sangue dos povos
não se esgota a gula
dos que dominam
os bytes e bites
que tudo controlam
não se esgota a fome
dos que sugam
gota a gota
o sangue dos povos
vampiros eletrônicos
máquinas de moer ossos
salvam-se por detrás
dos canalhas que se sentam
nos tronos do poder
engordam suas contas
nos paraísos fiscais
enchem de petróleo
seus navios piratas
a monumental bocarra
tem dentes de ouro
e caninos de titânio
cada rio que morre
cada floresta que queima
cada peste que grassa
cada grão de minério
arrancado com veneno
tudo enfim que brilha
sobre a terra
tudo enfim que conta
alimenta a gula
dos poderosos da terra
e mata mais um pouco
cada braço que se cansa
e pouco ganha de seu esforço
só o que se pode dizer
é que o mundo está
cada vez menor
cada vez mais pobre
para tanta fome
para tanta gula
22.1.2025
(Ilustração: Jacques Callot - Les Peches Capitaux - Gula)

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