19 de jul. de 2026

Lavras – palavra estranha

 




Lavras é palavra estranha

que me faz mineirar memórias.

Arroja em mim momentos meus

de loucos dias e dias mortos.



Lavras tem o jeito sutil

de trazer o vento que já passou,

de trazer a vida um dia já vivida,

de trazer o doce canto de minha mãe.



De Lavras vem

o eco de águas pingadas

a molhar o peito em dor,

águas doces de mangueiras em flor,

águas sujas de ruas tortas,

águas do rio louco de minha vida vã.



Às Lavras ecoam

lamentos de agora dos dias idos.



Entre sombras e entre passos retorno

às luas cheias da paixão,

catracas, rezas, cicios e preces

que o menino seguia em contrição,

pagando lá os pecados de agora.



Mergulho em Lavras atrás de mim,

mergulho em mim e encontro Lavras.



Renego, renego a vida que lá vivi,

mas não me livro da marca funda

em cicatriz de dor já mascarada.



Do pó do tempo me vêm as sombras

de tudo que já esquecera.

Se de Lavras ficou essa sombra triste

que me tornei, para lá retornam

as memórias loucas dos meus sonhos bons.



14/12/95

(Ilustração: Lavras, vista aérea, 
tendo em primeiro plano a Igreja Matriz de Santana)

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