não sei quanto valho
se uma pepita de ouro
ou só o vil cascalho
só sei que gasto o couro
me rasgando pela vida
sem ganhar quase nada
só coçando a ferida
aberta a cada paulada
não sei se sou um gato
perdido pela rua
miando por um prato
ou só miando para a lua
penso as vezes que sou
apenas um cão sarnento
que come o que sobrou
de qualquer apartamento
enfim, não sei quanto valho
pois sobrevivo como posso
chafurdando no enxovalho
sem a mais-valia de um osso
25.2.2026
(Ilustração: Eric Lacombe, dark abstract portraits)

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