26 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Foto de Nan Goldin)



46.





Somos todos caminheiros neste mundo.

Um mundo que não entendemos 

e um ser que não construímos – o homem.

Além do universo só pode haver

um outro universo.

Que nunca entenderemos.








25 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Cena de O sal da terra - documentário sobre Sebastiao Salgado)




45.



Não há pessimismo em dizer 

que bosta é a vida.

Pessimismo seria 

não reconhecer na vida a miséria

que a todo momento bate

à nossa porta.






24 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Foto de Chema Madoz)





44. 



Louvemos a vida, 

somente a vida. 

E deixemos que a morte 

seja somente o que ela é: 

o fim de tudo.





23 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA



(Foto de František Drtikol - 1913)




43.



Não se lamente a morte dos deuses.

Apenas 

deixemos que se queimem

em suas próprias diatribes.

Apenas.





22 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA



(Foto de Cristina Siqueira)



42.



Livre de ameaças de deuses absurdos,

eleja o homem à ética

do respeito

o guia maior de sua consciência.




20 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA



(Foto de Jan Saudek)



41.



Deuses não há.

Que haja, então, somente

a humanidade do homem

soberana e feliz.







19 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA





(Foto de a. não identificado - baobá do Recife)


40.



Caiam na fossa comum 

do esquecimento

todas as palavras ditas divinas.

E o homem será livre, afinal.






17 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Foto de Ramon Martinez)



39.



Se o deus descrito 

nos livros sagrados dos homens 

promete a todo instante 

castigo inaudito

a quem nele não crê,

ou a quem lhe desobedece,

que deus é esse tão misericordioso?






16 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Foto de Richard Avedon - screenshot)




38.



Já li e reli alguns dos livros

ditos sagrados.

Restou-me apenas,

dessa leitura,

um gosto de fel na garganta

e uma grande vontade de vomitar.







15 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(A. não identificado)




37.



Os templos dedicados a deuses

pontuam de irracionalidade

a trajetória do homem.

E encharcam de sangue

uma história de estranhamentos.








14 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(A. não identificado)



36.



O medo, no mundo animal,

significa sobrevivência.

No homem,

falha de caráter.









13 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Foto de Fátima Alves)



35.



Como viver o presente?

Não se vive o que é fugaz.

A mente humana não se conforma

àquilo que não entende.





12 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA






(Foto de Chicre Miguel Filho; Macuquinho, MG)



34.



Só se constrói, no entanto, o futuro

quando se olha muito bem

para o passado.






11 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA





(Foto de Vladimir Fedotko)




33.



Para que o presente exista

é preciso enchê-lo de futuros.






10 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA





(Foto de Dimitri Daniloff - supermarket)




32.



Basta o sonho ao homem

para torná-lo racional?

Não: o sonho apenas o torna

um pouco menos animal.









8 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA






(Foto de Jan Saudek - synopse)




31.



Pois que o homem é o único bicho

a pensar no futuro.








7 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Foto de Cirenaica Moreira - cartas)



30.




O que diferencia o homem

dos seus pares animais?

O sonho!

O sonho que ele sonha

e pode realizar!





6 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Foto do filme de Pasolini - As mil e uma noites; A. não identificado)




29.





Loucos os homens, loucas as mulheres,

são todos loucos a acreditar

que podem sempre conviver,

opostos que são, como o arco e a flecha.

Basta que se completem, 

basta que se calem,

basta que se beijem.





5 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA



(Foto de Brassaï - fille derrière le rideau - 1932)



28.



Não há ironia no que digo.

Apenas assim são as coisas

sobre as quais escrevo.

Se me rio, por dentro

choro

o tempo todo

o verso que não consigo escrever.









4 de fev de 2017

BECO SEM SAÍDA




(Foto de Chema Madoz)





27.



Ouça música, sempre.

Não importa que música seja.

Chopin ou Lizt

nunca tiveram inveja

de quem não soubesse a diferença

entre uma clave de sol 

e qualquer outra coisa.