2 de mar de 2015

Atrás da montanha



(Casper David Friedrich)



Atrás da montanha, uma planície se estende,
um plano que leva ao mar.
Nunca a vi, mas minha mente entende
que ela lá está, cortada por caminhos de areia,
nem bela, nem feia,
plena ao sol, preguiçoso deserto.
Meus olhos batem no contorno da montanha,
e sobem para o alto. Minha imaginação, não!
minha imaginação contorna o pico verde,
desce morro abaixo e percorre, assim,
o caminho tortuoso que leva ao mar.
Cresta meus pés, que não tocam o chão,
no lento e calmo caminhar,
a areia quente da planície,
da planície que me leva para o mar.
Sei que ela lá está, quando secam meus olhos
de tanto olhar, não o verde da montanha,
mas o amarelo da areia que tento imaginar.
E percorro como velho andarilho
um caminho que nunca vou caminhar,
prisioneiro que sou do lado de cá.
Só me resta pensar que essa planície,
esse deserto que leva ao mar,
guarda os passos que eu não consigo dar,
e que tem, pleno ao sol,
na minha ânsia de imaginar,
lá no meio do areal,
uma planta que ousou medrar
sem água, sem chuva, só com as lágrimas
do meu olhar.
Não sei como se chama essa planta
que nunca vou colher, eu sei.
Só não sei por que ela lá está,
bem no meio do deserto, bem no meio
do meu lento caminhar.
Sei apenas que ela lá está,
porque a sonho no meu sonhar,
porque a quero no meu caminhar.
Talvez nem mesmo exista,
na planície que leva ao mar,
coisa alguma que me leve a pensar
que realmente está lá
a planta que não vou colher.
Não importa. Basta que olhe,
com olhos de imaginar,
além da montanha, o caminho
que leva ao mar,
para que sossegue o coração
na certeza de que por esse caminho
nunca vou chegar ao mar.



27.11.2012; 8.3.2023

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