4 de dez de 2012

AMO-TE AINDA


(Tomasz Kafel)



Confrange-me o peito

dizer-te que, sim, te amo ainda,

como sempre te amei. No entanto,

com esse meu louco jeito

que a tudo atrapalha e não deslinda

a vida e todo o seu encanto,

confesso que

não te quero mais.

Mesmo que sofra, eu te digo

que, nunca, jamais

buscarei em ti qualquer abrigo

para tempos de tempestade.

E ainda vou mais longe

nesse dasafio: ainda que

busque alívio ao desfastio

nos beijos loucos

e desejos - poucos -

de outras tantas,

não terão elas de mim

um só anseio que tenha sido teu,

pois não há mais saudade de ti

nas plantas de meu jardim

que neste coração que já morreu.


Joinville, madrugada de 6.10.2012

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