meu corpo – uma cidade abandonada
nascem famélicos miasmas e fantasmas de meu sangue
navego dentro de mim pelo rio que corre para o nada
barco sem vela e a bordo um comandante exangue
a bradar contra as estrelas todo o seu desespero
sinto o vazio corromper por dentro minha esperança
não há mais em mim qualquer tempero
que possa equilibrar os pesos da balança
sou apenas no rio de águas turvas o morto
que vento e ondas levarão para qualquer porto
12.4.2023
(Ilustração: Édouard Manet: Le Suicidé, ca.1877)
Nenhum comentário:
Postar um comentário