21 de mar. de 2025

meu corpo






meu corpo – uma cidade abandonada

nascem famélicos miasmas e fantasmas de meu sangue

navego dentro de mim pelo rio que corre para o nada

barco sem vela e a bordo um comandante exangue

a bradar contra as estrelas todo o seu desespero

sinto o vazio corromper por dentro minha esperança

não há mais em mim qualquer tempero

que possa equilibrar os pesos da balança

sou apenas no rio de águas turvas o morto

que vento e ondas levarão para qualquer porto





12.4.2023

(Ilustração: Édouard Manet: Le Suicidé,  ca.1877)

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