“Para garantir algo tão estranho quanto a exclusividade sexual,
é necessário gerar uma espécie de terror constante e de drama contínuo.”
Brigitte Vasallo; O desafio poliamoroso
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isto é lá com Santo Antônio!
(Canção popular, de Lamartine Babo)
Cale-se e beba, menina,
Que você tem sorte:
A taça pequenina
Trará rápida a morte
Cale-se e beba, senhora
O tempo de maturação
Muito longo, até agora
Só trouxe a solidão.
Cale-se e beba, matrona,
Já que sobreviveu,
Sendo tão durona,
Ao amor que já morreu.
Calem-se todas as que aspiram à felicidade
Dentro do chamado sagrado matrimônio:
O cálice que dele vem está cheio de maldade
Transmutada com capricho por algum demônio.
Atravessado o portal maldito
Em cima do qual está escrito
As palavras que Dante preveniu
Aos que entravam no inferno,
Seu grito aflito soará ao eterno
Sem mais nenhuma esperança
De que o rio de merda que fluiu
Desde aquele dia ao pé do altar
Não leve de roldão a aliança
Que obrigaram você a aceitar:
Esse rio que virou logo mar de lama
Nascido do compromisso medonho
Que você fez – repito – ao pé do altar
Apagou para sempre a chama,
Mesmo a pequena chama de algum sonho
Que um dia você pudesse sonhar.
27.1.2026
(Ilustração sem qualquer indicação de autoria)


Nenhum comentário:
Postar um comentário