30 de ago de 2009

A MÁQUINA DE LAVAR ROUPAS



(Jean-Baptiste Siméon Chardin)




Diz o Vaticano que a máquina de lavar roupas

Libertou as mulheres

Fez mais por elas que todas as lutas

Que todas as santas e prostitutas

Que a igreja queimou como bruxas

Que a máquina de lavar roupas

È mais importante que trepar sem pecado

Que a máquina de lavar roupas

Conformou o cérebro da mulher moderna

Mais até que queimar sutiãs em praça pública

Mais até que pensar afinal que não são as mulheres

Costelas quebradas do plexo sem nexo do macho

E então o Vaticano decretou

Que mulher tem que ter máquina de lavar roupa

Para ser livre e não morrer como bruxa

Na fogueira da santa ignorância

Ah! a máquina de lavar roupas

Vamos todos em nome daquele senhor decrépito

Que chamam de papa vamos todos comprar

Máquinas e máquinas de lavar roupas

Vamos sim vamos comprar milhões de máquinas

De lavar roupas e então vamos lavar

Muito bem lavadas todas as roupas clericais

Daquele velhinho tão simpático que diz

Que diz que mulher tem que ter

Máquina de lavar roupas para ser enfim

Livre livre livre como todas as santas tristes

Que frequentam os altares do Vaticano

E não serem queimadas como bruxas

Nas eternas fogueiras que nascem

Da língua afiada de todos os padres

Uma máquina de lavar roupas por favor

Senhores que me ouvem uma máquina de

Lavar roupas para esta senhora que ri

E mais para aquela que chora e mais

Para aquela que nem sabe o que diz o velho papa

E para todas todas todas

As mulheres do mundo todas sem exceção

Uma máquina de lavar roupas

Uma máquina de lavar roupas

Sem dó sem piedade uma máquina de lavar roupas.


Um comentário:

  1. Jamais vi tamanho absurdo! Esse Papa promete mais. Pode apostar. Acabei de comprar uma zerinho, aquela Brastemp! Água quente, rebolativa, silenciosa e lânguida quando a fo... quando a centrifugação termina. Acho que sou uma mulher livre, né? Bjs.

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