9 de ago de 2015

VINTE POEMAS DE INVERNO E UMA PEQUENA CANÇÃO DE PRIMAVERA



(Antonio Tordesillas)



1. 

neste inverno
que seja eterno
o teu gozo


2. 

vem, amor, pra debaixo do calor
de nossas cobertas; fica,
fica e acaricia minha pica


3.       

não amor eu quero contigo
fazer:
quero do teu umbigo
ao teu sexo
me
 escorrer


4.       

lábio com lábio
não na boca, imagina!
mas meu lábio
- mais sábio -
lá, em tua vagina!


5.     
chupa, chupa por entre
as pregas de minha glande,
o calor que fica
em minha pica
 - e que se expande -
quando sai de teu ventre


6.    
enrola teu pelo
com minha saliva
em teu grelo


7.       

o lençol inunda
com todo o gozo
que escorre de tua bunda


8.       

faz de teu corpo
o cais
onde quero
sempre mais


9.       

em cada espasmo
do teu corpo,
dá-me o teu orgasmo


10.   

não refreio
meu anseio
em teu seio
(fruto de ouro):
quero todo o veio
de teu tesouro

11.   

colho com a língua
     o gozo que vem lento
    e forte
  do fundo de teu corte


12.   

goza mais, amor, goza,
enquanto chupo o teu cravo:
se a língua tece a prosa,
faço versos como teu escravo


13.   

quero-te onda
para afogar-me em teu ventre
quero-te rio
para afundar-me em teu gozo
quero-te lago
para afugentar os meus temores


14.   

não sentes o frio que vem de fora
porque aqui bem quente
há um pau que te devora


15.   

no frio, o agasalho
da tua boca
aquece o meu caralho


16.   

peço-te gozo e me dás
teus licores;
peço-te tesão e me dás
teus humores


17.   

no teu grelo esfregas
minha vara
e te entregas
à sanha da minha tara


18.   

lambes de cima até em baixo
minha caceta,
enquanto me afogo lá em baixo
nos sucos de tua boceta

19.   

valquíra do orgasmo e da beleza,
cavalgas e não foges à luta:
dá-me, a mim, a certeza
de que cumpres no meu pau
tua doce vocação de puta


20.   

exausto, desfalecida
te deixo:
a vara antes enlouquecida
é freixo
no meio do rio;
assim,
minha sanha e teu gozo
ao fim,
jogaram no fogo
este inverno tão frio



uma pequena canção de primavera



tu sabes o que eu era,
eu sei o que tu desejas:
espera um pouco mais, espera,
prova do bolo todas as cerejas,
amansa aqui dentro a fera
embora cansada já estejas;
eu sei que te desespera
este inverno, mas que sejas
ainda um vez a quimera
de ilusões benfazejas,
antes que chegue a primavera.






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