27 de set de 2015

vulnerabilidades




(Franco Clun)




vulnerável o barquinho de papel
lançado pelo menino à correnteza do meio fio

vulnerável o pássaro no alto da árvore
à chuva de granizo em dia de tempestade

vulnerável o andar da criança
inventando caminhos e futuros

vulnerável ao vento e à chuva a fortuna
inutilmente amealhada ao longo da vida

vulnerável o véu da noiva e a aliança
de vidro do noivo diante de deuses e altares

vulnerável a vida jogada aos mares
em barcos de plástico e vento

vulnerável será um dia meu corpo inerte
lançado aos cuidados de ilustres desconhecidos

porque é assim a vida e assim correm os anos
que temos sobre a bola em que viajamos
redemoinhando no tempo e no espaço
nada de nada do nada que pensamos ser




21.9.2015



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