DOIS PONTO NOVE
guardo apenas a ironia do riso fácil
a tornar inferno a vida fútil
a tornar em dor a saudade inconsútil
dos deuses que em mim resguardam
habituo-me a ter somente o olhar ardente
a domar os ventos de minha louca mente
a soprar a dor que em dor ressente
dos deuses que em mim ressoam
ouço os lamentos como do inferno
a queimar o amor em fogo eterno
a tornar mais fútil o olhar mais terno
os deuses que em mim se rasgam
abrem brechas no meu ser inútil
tornam gelo o ser que sente
queimam em sarça o corpo externo
para deixar bem claro que em mim habitam.
24.5.94
(Ilustração: Emil Nolde - crucifixion)


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