Theo, in memoriam
(20/5/2026)
ouço seu miado
apuro os ouvidos
é só o vento
da tarde
pressinto seu ronronado
acordo feliz
é só o vento
da noite
sinto seu cheiro
apuro meu olfato
é só o vento
do meio-dia
sinto seu colear
entre minhas pernas
arrepio-me todo
e agora - percebo
não é só o vento
- é essa ausência
tão presente
da felicidade
que eu tinha
em tantos e tantos
momentos
da minha vida
o vento que o traz
a vida que o levou
deixaram em mim
um vazio tão grande
que nunca imaginei
pudesse sentir
depois que ele
fosse embora
numa tarde de maio
fria – fria – fria
21.5.2026
(Ilustração: Theo; janeiro de 2024 - foto do autor)


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