8 de ago. de 2022

o último romântico

 



não sou [infelizmente] o último romântico

mas gostaria de sê-lo

- que fossem meus arroubos o túmulo

de todas as paixões

que fossem meus versos

os últimos suspiros de todos os loucos

que fossem meus poemas

a última gota de fel no ouvir estrelas

e que se colocassem para sempre

a tampa fatal no túmulo

do último suspiro de amor

e o romantismo

[expurgado do mundo como o pássaro dodô]

deixasse apenas algumas poucas penas

na página em branco

de poemas que jamais serão outra vez

escritos

e para as amadas preguiçosas

que transitam entre poeiras de estrelas

e aviões a jato

pisando os corações solitários

com bits e bytes de desprezo estelar

reste apenas o teclado sem letras

de um computador sem memória



2.1.2021

(Ilustração: Vincent Desiderio)

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