18 de ago. de 2018

o problema é seu






se não quer ver

não olhe

se não gosta

não prove



escrevo o que sinto e como todo poeta

nem sempre sinto tudo o que escrevo

mas é assim mesmo meio torta e sincera

a minha poesia se é que versos tortos

possam ser chamados e tratados de poesia



palavras que uso porque não tenho medo

não tenho não tenho não tenho não tenho

não tenho medo de palavras grandes ou pequenas

saem dos meus dedos para as teclas do computador

águas quentes de vulcões extintos em erupções

líquidas e valentes a queimar bocas e gargantas

e se não lhes aprazem que se fodam você e o mundo

não nasci para pedir desculpas por aquilo que digo

entenda como quiser e não me torre o saco

já tão cheio de desgraças da vida e de misérias

vou-me agora preocupar com as palavras que

escorrem mel e fel nas fendas de grutas escuras

dos malfadados estúpidos medrosos da letra

saiam todos eles dos esconsos abismos do medo

e vejam a morte que ronda os buchos vazios

de multidões maltrapilhas e fodidas e esqueça

esqueça que escrevo em meus versos boceta

ou vagina ou cu ou qualquer outra merda

que o tempo de trevas que sempre houve

não esgarça a sombra terrível que se espalha

quando você se preocupa com meus versos

que são sim versos porque os considero versos

e se versos não fossem que sejam pelo menos

o grito de palavrões incontidos e ressentidos

contra todos os moralistas desse mundo maldito








25.3.2018


(Ilustração: escultura de Liu Xue) 





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