30 de dez de 2017

meus poemas



(Francisco Brennand; A Grande Tartaruga - 1981)



porque os chamo poemas

são poemas o que escrevo

parecem livres parecem prosa

nascem no entanto presos

ao pulsar do meu corpo

àquilo que determinam

os lagos os rios os abismos

as cachoeiras e as estrelas

os mais negros infinitos

do meu cérebro em ebulição

nas suas sinapses enlouquecidas



que os apreciem alguns

que não lhes vejam sentido outros

que não se lhes afigure poesia tantos

que importa

se o que se enfileira em letras e sons

são pensamentos e sentimentos

atirados aos ventos e ao mundo

como folhas desalinhadas e arrancadas

de árvores sem raízes e sem frutos

semeadas à beira do caminho

e nascidas fortes porque é esse o seu destino

sem outra opção que não serem apenas vida




23.12.2017

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