8 de jan. de 2018

vênus incorpóreas






houve um tempo quando eu não sei

sei que houve um tempo

muito tempo antes do agora

quando se usava apaixonar por mulheres nefelibatas

mulheres envoltas em sinfonias de Brahms

estrelas despencadas de galáxias impensáveis

musas de olhos solares e noturnas madeixas

nunca menos que vênus incorpóreas

seres de inauditas façanhas e doces empuxos

a singrarem em velas pandas os corações

pisando rosas e lírios em vales sombrios

sim eu sei que esse era um tempo de desesperanças



24.12.2017

(Ilustração: Eliseu Visconti)



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