6 de ago de 2017

caminho




Gustave Caillebotte - Le Père Magloire sur le chemin de Saint-Clair à Étretat






há um caminho atrás de meus passos

como pergaminho desenredado

traços marcam cada tropeço

no areal de lágrimas lavado



quanto mais para trás se alonga

essa trilha de pedra e cal

mais ao alcance da mão

fica essa luz boreal

na qual imbrica meu destino

em desatino o vadio coração



se já não faz assim bom tempo

o tempo que tenho a caminhar

sem mágoas rolam os dias

como as águas ao vento encapelam



não há dor nem pranto

se levanto de cada tombo os olhos

dos esfolhos que me engambelam

com futuros que não terei



não importa se tudo o que sei

cabe no traço que deixo atrás

de cada passo desse caminho



se duro em cada pedra

em que tropeço

que saiba a jambo maduro

o travo de vida que me move

e tudo o que ainda peço

é que o passo seja firme

mesmo quando venta e chove


28.2.2014


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