31 de dez. de 2019

Livros lidos em 2019





 


Para quem gosta de ler, uma lista de livros é pode ser um regalo: há sempre a possibilidade de encontrar ali um novo autor ou um título esquecido na memória, um livro que quisemos ler um dia e, por qualquer razão, não o fizemos; há sempre a possibilidade de um título nos chamar a atenção e descobrirmos leituras preciosas que, achamos, deviam fazer parte obrigatória de nossa avidez por leitura. 

Numa dessas listas, encontrei, uma vez um título – O grande massacre dos gatos. “Oras”, pensei, por que diabos houve um dia uma matança de felinos, esses bichinhos tão amáveis e de que tanta gente gosta? Fui atrás e deparei-me não só com a história tenebrosa que dá título ao livro, mas também com uma crônica precisa, interessante, envolvente sobre os usos e costumes de um século que considero fascinante, o século XVIII. 

Todos os que amam os livros lamentam o fato histórico envolvido em lendas que não se comprovam totalmente, mas em todo caso, um fato que virou uma espécie de meme em nosso meio: a queima da grande Biblioteca de Alexandria, com a consequente perda de um acervo imenso de cultura. No entanto, não sabemos ou não nos interessaram milhares de outras destruições de bibliotecas ao redor do mundo, por fogo, inundações, guerras etc. Ao longo dos séculos, tesouros escritos formidáveis foram perdidos, em quase todos os países da Terra. Há uma história dessa calamidade? Sim, há: um venezuelano, Fernando Baez, escreveu a História universal da destruição dos livros. Encontrei por acaso, numa lista, comecei a ler e quase o li de um só fôlego, apesar de ser uma obra alentada. 

Podia-se fazer listas, por exemplo, das peças de teatro vistas durante o ano. Mas, temos aí uma limitação, ou melhor, duas: o local, já que peças de teatro são levadas numa determinada cidade; e a temporada, pois as peças de um ano raramente repetem-se no ano seguinte. Uma lista anual desse tipo, portanto, teria pouco ou nenhum alcance. 

Podia-se fazer uma lista dos filmes vistos durante o ano. Já seria mais interessante, hoje, diante das possibilidades do streaming, e isso agradaria aos cinéfilos, mesmo diante da grande quantidade de lançamentos anuais. 

Enfim, listas que tragam informações culturais são quase sempre interessantes para os aficionados de determinadas áreas. E as listas de livros, eu as considero particularmente fascinantes, pelas razões expostas acima. Mesmo que sejam livros de áreas específicas do conhecimento, às quais em geral não tenho muito acesso, pode ser que lá no meio haja um título, um autor de que já tenha ouvido falar, ou de que tenha lido em algum momento uma resenha, e possa despertar a minha curiosidade. 

O que eu quero dizer, para terminar essa crônica, que já se alonga, é que, como leitor voraz, espero que a indesejada das gentes, quando venha me visitar, me encontre lendo um livro e que eu possa, gentilmente, lhe pedir que espere mais um pouco, até que o termine de ler e que ela, também gentilmente, sentasse ao meu lado e me concedesse esse favor. Afinal, eu acho que até mesmo ela deve ser condescendente com tal pedido, já que deve ser uma leitora voraz do livro da vida. 

Eis, portanto, a minha lista de livros lidos nesse ano que termina, de 2019, com apenas o objetivo de despertar a curiosidade em algum de meus parcos leitores, sem nenhuma pretensão de que sirva – esta lista – como sugestão e, principalmente, espero que não seja interpretada como uma espécie de vão orgulho desse pobre escriba: 



1. O que deu para fazer em matéria de história de amor, Elvira Vigna; 

2. O primeiro homem, Albert Camus; 

3. Uma história do Brasil através da caricatura – 1840-2006, Renato Lemos (organizador); 

4. Beije-me onde o sol não alcança, Mary del Priore; 

5. O elefante desaparece, Haruki Murakami; 

6. O delta de Vênus, Anaïs Nin; 

7. O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger; 

8. A incrível e triste história da cândida Erêndira e da sua avó desalmada, Gabriel García Márquez; 

9. Vagina, uma biografia, Naomi Wolf; 

10. A mulher do tenente francês, John Fowles; 

11. Terra sonâmbula, Mia Couto; 

12. Nome de guerra, Almada Negreiros; 

13. O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa, Robert Darnton; 

14. A queda, Albert Camus; 

15. História da loucura na idade clássica, Michel Foucault; 

16. A filosofia na alcova, ou, os preceptores imorais, Marquês de Sade; 

17. Manon Lescaut, Abade de Prévost; 

18. Os 120 dias de Sodoma, ou a escola da libertinagem, Marquês de Sade; 

19. Vigiar e Punir, Michel Foucault; 

20. Idade Média - Umberto Eco (org.); 

21. Pastoral Americana, Philip Roth; 

22. Baú de ossos, Pedro Nava; 

23. O bosque das ilusões perdidas, Alain-Fournier; 

24. O século das luzes, Alejo Carpentier; 

25. De repente, nas profundezas do bosque, Amós Oz; 

26. Judas. Amós Oz; 

27. A elite do atraso: da escravidão à lava jato, Jessé Souza; 

28. História universal da destruição dos livros – das tábuas sumérias à guerra do Iraque, Fernando Báez; 

29. Crônica do Pássaro de Corda, Harumi Murakami; 

30. A Família de Pascual Duarte, Camilo José Cela; 

31. A menina que rouba livros, Markus Zusak; 

32. A casa do incesto, Anïs Nin; 

33. O homem que amava os cachorros, Leonardo Padura; 

34. Bom Crioulo, Adolfo Caminha; 

35. Orgulho e preconceito, Jane Austen; 

36. A cultura no mundo líquido moderno, Zygmunt Bauman; 

37. Na praia, Ian McEwan; 

38. Os cus de judas, António Lobo Antunes; 

39. 24/7 Capitalismo tardio e os fins do sono, Jonathan Crary; 

40. A letra escarlate, Nathaniel Hawthorne; 

41. A partitura do adeus, Pascal Mercier; 

42. A morte de Artemio Cruz, Carlos Fuentes; 

43. Éramos seis, Maria José Dupré; 

44. Homo Sapiens, Johan Huizinga; 

45. Quarup, Antonio Callado; 

46. O Castelo de Otranto, Horace Walpole; 

47. Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa; 

48. Abaixo as verdades sagradas, Harold Bloom; 

49. O conto da aia, Margaret Atwood; 

50. O coração das trevas, Joseph Conrad; 

51. Os Miseráveis, Victor Hugo; 

52. Trópico de Câncer, Henry Miller; 

53. Cova 312, Daniela Arbex; 

54. O risco do bordado, Autran Dourado; 

55. Coração Satânico, Willilam Hjortsberg. 



31.12.2019

(Ilustração: foto de Chema Madoz)



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