2 de dez de 2016

sonhos











sobre as ondas do mar navega o valente barco

cão raivoso ruge medonho o vento

o mar inteiro enovela-se para engolir o barco e seus navegantes

prende entre nove dedos

com mais força o timão o timoneiro sozinho à proa

vespas vermelhas os marinheiros

correm pelo convés da popa à proa

preparam alguns os botes salva-vidas

gritam outros palavras de ordem

tudo se confunde ao negror da noite e à tempestade

alçam voo as gaivotas amedrontadas

possuída de ódio mortal a onda avança

da proa à popa varre o velame e o barco range

segura mais forte ao timão o velho timoneiro

sabe que é violenta a tempestade mas passageira

mais do que todos conhece o mar e seus humores

seu sonho um dia já foi alvorada

durou o tempo do dia calmo em mar de golfinhos

sabe que a noite de tempestade traz o ódio

o ódio cego a pisar a derriçada esperança

mas sua sabedoria de velho timoneiro lhe diz

que depois da bonança e do nevoeiro

vem sempre a manhã do renascimento

volta-se então para todos os marinheiros

os seus olhos cansados porém ariscos

dizem a todos que se acalmem

dizem a todos que trabalhem

que os sonhos ainda não morreram

porque a vida vira um só pesadelo

quando cada um dos marinheiros

mata dentro de si o próprio sonho

devem todos permanecer em vigília

para que a noite negra enfim amanheça

para que o sonho sonhado reviva

ao sol de uma nova e feliz alvorada

formada com a chama sempre acesa

que há nos olhos do bravo timoneiro

3.11.2016







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