1 de dez de 2015

POEMAS DO COTIDIANO



Sonho louco



      (martin van maele)


Bêbado e drogado
de ti,
ponho na vitrola o disco antigo
de canções do passado,
mais bregas que meu desespero,
para recordar em cada nota
um beijo que não colhi,
da tua boca rubra
o sorriso que não esqueci,
de teus lábios a palavra
que não ouvi.
Não importa: louco de teu perfume,
na música estranha que rola em meu cérebro,
a memória reconstrói
pedaços de amor,
pedaços de vida.
E revejo em sombras sonhos que não vivi,
teu corpo entregue em loucos desvarios
de amor que por ti
tanto sofri.
Vai a canção em busca do tema
como vou em busca de um sonho,
um sonho louco em que me envolvi.
Não há
nas estúpidas de estúpido aparelho
uma só possibilidade
de encontrar o que não vivi.
Mas embarco, bêbado como drogado,
ou envenenado até a ultima gota
de meu sangue,
a escrever desesperadamente em cada verso
para te encontrar no fim
como o sonho louco do poeta louco,
sonho, sonho, apenas sonho de vida
 que não vivi.


17.7.96

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