(Karena A. Karras - Tabula Rasa - 2007)
tirou-me a vida o chão em que pisava
o sol que me iluminava
o vento que acariciava o meu rosto
deixou-me a vida somente o desgosto
e se ainda ouço algum canto de pássaros
estão eles a cada dia mais distantes
não sou o que era antes
quando ainda podia sonhar alto
meço à noite o passo de amanhã
para que não caia no dia seguinte
nos buracos do meu
caminho
flutuo como um pedinte
entre a rosa e seu espinho
e se meu pensamento às vezes salta
na busca inútil do que um dia fui
é que por falta de chão tornei-me nefelibata
vivendo do sonho que a mim mesmo reflui
13.4.2016
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