26 de nov de 2015

POEMAS DO COTIDIANO



Canto triste


(martin van maele)


É a hora da poesia.
Como se precisasse de hora
a musa esquálida,
batendo, embora,
no peito inerme em busca
sabe-se lá de quê.
Não há rima a saltar do fim,
não há verso a pular indômito.
Tudo vem em quase-vômito,
arrancando a dor que cultivo em mim.
Ah! louco o poeta a gemer em si.
Ah! prazer agônico de pensar em ti.
Esquálida/pálida/cálida musa
que não percebe que se inscreve
em cada sílaba a dor que usa
fazer de mim o escravo inútil
do canto triste quanto fútil.

25.6.95

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